terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memórias Póstumas de Brás Cubas


1- Linguagem:
O livro Memórias póstumas de Brás cubas (machado de Assis), possui uma linguagem formal, constituída de expressões e palavras relacionadas e casualmente utilizadas na época em que se deram os acontecimentos. O autor que de fato denomina-se narrador observador e protagonista, uma vez que a narração é feita em primeira pessoa, onde este trata as ações cotidianas comuns que vivera enquanto vivo, analisando-as através de um olhar psicológico interagindo e coincidindo com uma variação de sentimentos que se remetem as mesmas, de forma indescritivelmente despercebida, o que por vezes se tornam irônicas.
       O autor cita uma reflexão pessoal que observara sobre um sentimento e conseqüentemente uma ação que, inexplicavelmente sentimos em determinados momentos, como algo natural de todo ser humano:
       ...”nariz, consciência sem remorsos, tu me velaste muito na vida..., Já mediaste alguma vez no destino do nariz?”
...”Quando ele finca os olhos na ponta do nariz, perde o sentimento das coisas externas, embeleza-se no invisível...”
Esse trecho nos faz compreender a reflexão e a sua conclusão sobre as conseqüências que obtemos quando tendemos a sermos egoístas, ambiciosos e principalmente quando possuímos o sentimento obscuro da superioridade perante os outros.
Expressões da época: Chiquito (pequeno); sintra (aves que imitam a voz humana) alem de fazer uso de várias expressões francesas.

2- Contextualidade:

Principais Acontecimentos do Século XIX:

Contexto sócio-político da época: · teorias de nova interpretação da realidade - Positivismo, Socialismo Científico e Evolucionismo
 · no Brasil, campanha abolicionista a partir de 1850 que culmina com a Lei Áurea em 1888
 · fundação do Partido Republicano nacional após a Guerra do Paraguai
 · decadência da monarquia brasileira
 · fim da mão-de-obra escrava e sua substituição por trabalho assalariado
 · imigrantes europeus para a lavoura cafeeira
 · economia mais voltada para o mercado externo, sem colonialismo
 No século XIX, após um crescimento contínuo da grande lavoura de exportação ( cana-de-açúcar), que se confundiu com a expansão do café pelas serras e vales do interior da província do Rio de Janeiro, começaram a aparecer sinais evidentes de que a agricultura brasileira vivia uma profunda crise. Esta crise era atribuída, sobretudo, à falta de braços (pelo fim da escravidão) e de capitais, além do atraso técnico e administrativo na condução das lavouras.
 A maioria dos grandes proprietários acreditava na exploração extensiva dos sistemas de produção, através da expansão das fronteiras agrícolas, abandonando as lavouras atuais quando estas não tivessem mais produtividade satisfatória e indo em busca de novas áreas reiniciando, assim, o ciclo de exploração da fertilidade dos solos. Esta era a cultura nômade de expropriação do solo brasileiro, na qual pouco se pensava nas consequências negativas dos manejos agropecuários empregados, especialmente no que diz respeito à destruição florestal.

 O início do século XIX no Brasil é marcado, em 1808, pela chegada da família real portuguesa, que fugia do conflito entre a França napoleônica e a Inglaterra. No Brasil, ainda, apreciava-se a arte barroca-colonial.
 Dom João VI e mais uma comitiva de 15000 pessoas desembarcaram na Bahia em janeiro de 1808, mas em março do mesmo ano transferiram-se para o Rio de Janeiro.
 A transferência da côrte portuguesa para o Brasil e a elevação da colônia a Reino Unido e sede do governo metropolitano renovaram o país. Nessa cidade o soberano português começou uma série de reformas administrativas, sócio-econômicas e culturais, para adaptá-la às necessidades dos nobres que vieram com ele e sua família. Assim, foram criadas as primeiras fábricas e fundadas instituições como o Banco do Brasil, a Biblioteca Real, o Museu Real e a Imprensa Régia.

Pintura Brasileira do Século XIX

As principais obras de referência bibliográfica sobre pintura no Brasil foram produzidas por Teodoro Braga (Artistas Pintores no Brasil, 1942), Robert Smith (seção de artes do Manual Bibliográfico de Estudos Brasileiros, 1949) e José Valladares (Estudos de Arte Brasileira, 1960). O trabalho de Robert Smith foi continuado por José Valladares que, adotando metodologia muito semelhante, complementou as mais de 900 referências originais com quase 700 outras atualizadas até o ano de 1958. Entretanto, não são referências específicas sobre pintura, incluindo diversas outras formas de arte e abrangendo manifestações desde o século XVII ao XX. Já a obra pioneira de Teodoro Braga volta-se exclusivamente para a pintura, embora seja muito concisa e apresente sérias deficiências de organização e revisão. Nenhuma delas trata com exclusividade da pintura brasileira do século XIX, mas todas as três são fontes indispensáveis de consulta, o que também se aplica ao Dicionário Crítico da Pintura no Brasil (1988), de José Roberto Teixeira Leite. A relação apresentada nesta página pretende fornecer uma base consolidada de informação bibliográfica para o estudo da pintura brasileira no período de 1800 a 1918 (e mesmo, em certos casos, até os primeiros anos da década de 1930)

Linha do tempo de acontecimentos importantes do século XIX:

1855
· É fundada a 1ª sociedade carnavalesca, a Tenentes do Diabo (inicialmente com o nome Zuavos Carnavalescos). Suas cores são o vermelho e preto, e são conhecidos por baetas, por usarem as mesmas cores do tecido (baeta) muito usado na época para a confecção de cobertores.
· 1º desfile feito pelo clube Congresso das Sumidades Carnavalescas.
· É inaugurado o precursor da vida noturna do Rio de Janeiro, o teatro Alcazar, na antiga rua da Vala, atual Uruguaiana.
1866
· O farmacêutico norte-americano John Pemberton cria a coca-cola
1868
· No Rio, surgem os bondes de tração animal, pertencentes à Companhia de Carris da Tijuca. Seu nome originou-se dos talões vendidos para facilitar o troco, denominados “bonds”.
1869
· Surge uma nova sociedade, o Clube dos Fenianos. Seu nome foi inspirado no movimento revolucionário irlandês de 1861 contra a Inglaterra. São conhecidos como gatos.
1870

Surge o maxixe, primeira dança brasileira.
1873
· Surge o primeiro rancho carnavalesco, o Reis de Ouro, fundado pelo baiano Hilário Jovino Ferreira (os ranchos iriam desaparecer no início da década de 1920).
1876
· É instalado o primeiro telefone no Brasil, na residência de D. Pedro II.
· Os brasileirinhos começam a consumir a farinha láctea Nestlé.
1877
· No Rio surgem os "Pufes", que eram uma espécie de desafio guerreiro entre os blocos, em versos.
1878
· O norte-americano Thomas Edison funda a GE, General Electric, e começa a fabricar o seu próprio invento, a lâmpada.
1880
· No Rio de Janeiro, surgem os primeiros conjuntos de choro.
1888
· Lei Áurea: É abolida juridicamente a escravidão no Brasil, quando já 95% dos negros tinham conquistado a liberdade por seus próprios esforços.
1889
· O Marechal Deodoro da Fonseca proclama a República do Brasil.
· É feita a 1ª gravação oficial no Brasil (em cilindro), reproduzindo a voz do Visconde de Cavalcanti.
· A Princesa Imperial pede que seja repetida a experiência anterior do dia 9 de novembro (gravação de disco), agora em seu palácio, para que seus filhos, os príncipes do Grão Pará e D. Augusto, possam conhecer o fonógrafo e a forma de gravação. Após a demonstração o Sr. Conde D' Eu declarou: “...achar a invenção muito boa, mas tinha certeza de que o público não adotaria pois acreditaria que fosse artes do diabo, ou almas do outro mundo”.
1890
· O Jornal da Província, fundado em 1874, torna-se o Estado de São Paulo.
1891
· Forte corrente imigratória européia no Brasil.
· Transferência do carnaval- As autoridades, por razões médicas, tentam transferir o carnaval para junho, por ser uma época mais amena; de nada adianta; fica em fevereiro mesmo. No ano seguinte tentam novamente mas não conseguem.
1892
· No carnaval desse ano surgem as serpentinas e confetes, vindas de Paris.
1894
· Charles Miller, paulista filho de imigrantes ingleses, traz o futebol para o Brasil.
· No Rio é inaugurada a Confeitaria Colombo.
1895
· Em São Paulo é inaugurado o Museu do Ipiranga.
1896
· Guerra dos Canudos - Levante de Antônio Conselheiro em Canudos.

 3- Cruzamento de olhares durante debate e discussão: 
Capa do Livro ''Memórias Póstumas de Brás Cubas’’.'
Brás Cubas, um "defunto-autor", isto é, um homem que já morreu e que deseja escrever a sua autobiografia. Nascido numa típica família da elite carioca do século XIX, do túmulo o morto escreve suas memórias póstumas começando com uma "Dedicatória": Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas. Seguido da dedicatória, no outro capítulo, "Ao Leitor", o próprio narrador explica o estilo de seu livro, enquanto o próximo, "Óbito do Autor", começa realmente com a narrativa, explicando seus funerais e em seguida a causa de sua morte, uma pneumonia contraída enquanto inventava o "emplastro Brás Cubas", panacéia medicamentosa que foi sua última obsessão e que lhe "garantiria a glória entre os homens".
Funeral de Brás Cubas.
No Capítulo IX, "Transição", principiam propriamente as memórias. Brás Cubas começa revendo a própria infância de menino rico, mimado e endiabrado: desde cedo ostentava o apelido de "menino diabo" e já dava mostras da índole perversa quebrando a cabeça das escravas quando não era atendido em algum querer ou montando num dos filhos dos escravos de sua casa, o moleque Prudêncio, que fazia de cavalo.
Brás Cubas montado em cima de um dos seus escravos quando criança.
Aos dezessete anos, Brás Cubas apaixona-se por Marcela, "amiga de rapazes e de dinheiro", prostituta de luxo, um amor que durou "quinze meses e onze contos de réis", e que quase acabou com a fortuna da família.


Brás Cubas se encontrando com Marcela.
A fim de se esquecer dessa decepção amorosa, o protagonista foi enviado a Coimbra, onde se formou em Direito, após alguns anos de boêmia desbravada, "fazendo romantismo prático e liberalismo teórico". Retorna ao Rio de Janeiro por ocasião da morte da mãe.
Brás Cubas visitando sua mãe minutos antes de sua morte.
Depois de namorar inconseqüentemente Eugênia, "coxa de nascença", filha de D. Eusébia, amiga pobre da família, o pai planeja induzi-lo na política através do casamento e encaminha o relacionamento do filho com Virgília, filha do Conselheiro Dutra, que apadrinharia o futuro genro.
Virgília e Brás Cubas se encontrando pela primeira vez.
Porém Virgília prefere casar-se com Lobo Neves, também candidato a uma carreira política. 





Lobo Neves e Virgília
Com a morte do pai de Brás Cubas, instaura-se um conflito entre ele e sua irmã, Sabina, casada com Cotrim, por conta da herança.
Brás Cubas no funeral de seu pai.
Quando Virgília reaparece, anunciada pelo primo Luís Dutra, reencontra-se com Brás Cubas e tornam-se amantes, vivendo no adultério a paixão que não tiveram quando noivos. Virgília engravida, no entanto a criança morre antes de nascer. Para manter discreta sua relação amorosa, Brás Cubas corrompe Dona Plácida, que por cinco contos de réis aceita figurar-se como moradora de uma casinha na Gamboa, que na verdade serve de encontro entre os amantes.

Virgília e Brás Cubas se encontrando na casa de Dona Plácida em Gamboa.
Então segue-se o encontro do protagonista com Quincas Borba, amigo de infância que agora miserável lhe rouba o relógio, devolvendo-lhe depois. Quincas Borba, filósofo doido, apresenta ao amigo o Humanitismo.


Brás Cubas revendo seu amigo de infância, Quincas Borba.
Perseguindo a celebridade ou procurando uma vida menos tediosa, Brás Cubas torna-se deputado, enquanto Lobo Neves é nomeado presidente de uma província e parte com Virgília para o Norte, porquanto que termina a relação dos amantes. Sabina arranja uma noiva para Brás Cubas, a Nhã-Loló, sobrinha de Cotrim, de 19 anos, mas ela morre de febre amarela e Brás Cubas torna-se definitivamente um solteirão.
Brás Cubas e Nhã-Loló
Tenta ser ministro de estado mas fracassa; funda um jornal de oposição e fracassa. Quincas Borba dá os primeiros sinais de demência. Virgília, já velha e desfigurada em sua beleza, solicita a ele o amparo à indigência de Dona Plácida, que morre em seguida. Morrem também Lobo Neves, Marcela e Quincas Borba. Eugênia é encontrada num cortiço. A última tentativa de glória, portanto, é o "emplasto Brás Cubas", remédio que curaria todas as doenças; ironicamente, numa de suas saídas à rua para cuidar de seu projeto, molha-se na chuva e apanha uma pneumonia, da qual vem a falecer, aos 64 anos.
Cartaz de propaganda do Emplasto Brás Cubas.
Virgília, acompanhada do filho, vai visitá-lo na cama e, após longo delírio, morre assistido por alguns familiares. Depois de morto, começa a contar, de trás para frente, a história de sua vida e escreve assim as últimas linhas do capítulo derradeiro.



Virgília visitando Brás Cubas em seu último momento de vida.
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Fim da história da obra.
4- Observação de mudanças e permanências:
A linguagem mudou muito como percebemos no livro a linguagem da época é mais formal diferente de hoje em dia. Havia expressões que não usamos hoje como (pequeno); sintra (aves que imitam a voz humana) alem de expressões francesas expressões essas que não utilizamos hoje.                                                                                                                                                                                    Mas a coisas que continuam acontecendo como, por exemplo, a festa de são João que no livro mostra que os personagens comemorarão e essa festa é muito conhecida hoje em dia e festejada.                                                                                                                                                                Cidades como a Tijuca ainda existem, a igreja de São Domingos, a Rua do Piolho, o estado do Espírito Santo.
Houve muita mudança nas vestimentas e calçados:
Vestimenta :
                                           Século XIX                                                      Nossos dias
 
      

Sapatos :
           

        

Roupas de banho:
     


5- Contextualidade de olhar da obra com a realidade ou com outras produções culturais:
O livro retrata o século XIX onde houve a Guerra Contra a Holanda,onde havia a influencia do Romantismo, Realismo, Naturalismo entre  muitos artistas, escritores, musicas, roupas diferentes do que vemos hoje.
Pinturas

    


        Poemas:
Luiz Gonzaga Pinto da Gama                                    
(1830-1882)
 

Se negro sou ou sou bode,
 Pouco importa. O que isto pode?
Bodes ha de toda casta,                                                                                                                                          Pois que a especie é mui vasta ...
Ha cinzentos, ha rajados,
Baios, pampas e malhados,
Bodes negros, BODES BRANCOS,
E sejamos todos francos,                                                                                                                                            Uns plebeus e outros nobres,
Bodes ricos bodes pobres,
Bodes sabios, importantes,
E tambem alguns tratantes ...
Aqui, nesta boa terra,                                                                                                                                    Marram todos, tudo berra.
 . . . . . . . . . . . . . 
Cesse, pois, a matinada,
Porque tudo é bodarrada!
Musica:
O Século XIX foi dominado pela música tipicamente romântica. O seu objectivo era apelar aos sentimentos e a verdades mais profundas que só poderiam ser alcançados pela arte, no caso, pela música. Romântico nesta época, não está relacionado com o sentimento de amor com o qual é conotado hoje em dia, mas está intimamente ligado a uma visão sonhadora da realidade.
No campo da música, sobressaem nomes de grandes compositores do século XIX, tais como:
Ludwig van Beethoven (1770 - 1827) -
Frédéric Chopin (1810 – 1849)
Richard Wagner (1813 – 1883)
Giuseppe Fortunino Francesco Verdi (1813 – 1901)
Peter Ilyich Tchaikovsky (1840 - 1893)
Achille-Claude Debussy (1862 –1918)




Nomes:
Amanda Nº01
Angélica Nº03
Débora Nº09
Evelyn Nº13
Gabriel Nº15  
Natalyne Nº48. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário